Guia · Contas e remessas
Como funciona o wire transfer e SWIFT em transferências internacionais
Entenda o funcionamento da rede bancária internacional SWIFT, códigos BIC, taxas de bancos correspondentes e prazos de liquidação de wire transfers.
A realização de transferências bancárias entre instituições de países diferentes utiliza sistemas consolidados de comunicação interbancária e liquidação de pagamentos em atacado1. O termo genérico “wire transfer” descreve a transferência eletrônica de fundos, enquanto a rede SWIFT funciona como a infraestrutura global de mensageria que coordena essas ordens1.
Entender como os bancos intermediários cobram tarifas e como os dados são transmitidos evita atrasos e descontos inesperados no valor enviado.
1. O que é a rede SWIFT e o código BIC
A Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication (SWIFT) conecta milhares de instituições financeiras em mais de 200 países1. Ao contrário de uma câmara de compensação de dinheiro propriamente dita, a SWIFT não transporta fisicamente fundos nem mantém custódia de moedas: ela transmite mensagens financeiras padronizadas (mensagens MT103 para transferências individuais de clientes) com altíssimo nível de segurança e criptografia1.
- Código BIC/SWIFT: Sequência alfanumérica de 8 ou 11 caracteres que identifica univocamente cada banco no mundo (4 letras para o banco, 2 para o país, 2 para a localidade e 3 caracteres opcionais para agência específica).
- Número IBAN (International Bank Account Number): Padrão internacional de numeração de contas bancárias, adotado na Europa e no Brasil, que inclui o código do país, dígitos verificadores e o número da conta2. Nos Estados Unidos, o sistema bancário utiliza o ABA Routing Number e o número da conta em vez do IBAN.
2. A rota do dinheiro: bancos intermediários correspondentes
Quando o banco de origem no Brasil não mantém conta de liquidação direta (conta nostro/vostro) no banco de destino nos Estados Unidos, a ordem precisa transitar por um ou mais bancos correspondentes:
- O banco brasileiro envia a mensagem MT103 para o seu correspondente internacional em Nova York.
- O banco correspondente debita a conta do banco emissor e direciona os recursos para a câmara de liquidação local (como a rede Fedwire do Federal Reserve)3.
- O banco recebedor final recebe o crédito na conta do beneficiário.
Cada instituição correspondente envolvida no trajeto tem permissão legal para cobrar uma tarifa de intermediação, habitualmente deduzida do próprio valor transferido (instrução de despesas “SHA” ou “BEN”)1.
3. As modalidades de custo: OUR, BEN e SHA
Ao emitir uma ordem internacional wire transfer, o remetente escolhe quem assume os custos bancários da cadeia:
- OUR: O remetente assume integralmente todas as tarifas bancárias, tanto do banco de envio quanto dos correspondentes. O beneficiário recebe o montante exato indicado.
- BEN: O beneficiário arca com todas as tarifas, que são descontadas do montante total antes do crédito final.
- SHA (Shared): Modalidade padrão do mercado. O remetente paga as tarifas do banco de origem, e eventuais custos de bancos intermediários e do banco de destino são deduzidos do valor creditado.
4. Prazos e custos ilustrativos
Uma transferência wire transfer internacional costuma levar de 1 a 3 dias úteis para liquidação final, dependendo do fuso horário e de verificações de conformidade (compliance e combate à lavagem de dinheiro)2.
Considere o envio de US$ 5.000,00 de uma conta no Brasil para uma corretora nos EUA via rede tradicional com modalidade SHA:
- Tarifa de emissão cobrada pelo banco brasileiro: R$ 100,00
- Dedução de banco intermediário correspondente durante o trajeto: US$ 25,00
- Tarifa de recebimento da ordem no banco de destino: US$ 15,00
- Valor efetivamente creditado na conta de destino: US$ 4.960,00
Para transferências de valores menores, as redes de pagamento bilaterais e contas globais que operam com compensação local (como ACH nos EUA e Pix no Brasil) eliminam essas deduções interbancárias2.